1/12/2012




folha verde vento
de dentro pra fora
mulher com olhos de incêndio


texto: adriane bertini
ilustração: kevin kraus



texto: adriane bertini
ilustração: kevin kraus



texto: adriane bertini
ilustração: kevin kraus

1/11/2012




perco minhas folhas
sobre você
o orvalho evapora


texto: adriane bertini
ilustração: kevin kraus



texto: adriane bertini
ilustração: kevin kraus



céu distante
peno sozinha
um vulto em janelas estranhas


texto: adriane bertini
ilustração: kevin kraus



tarde vazia
ao meu lado
estou eu, dura e fria


texto: adriane bertini
ilustração: kevin kraus

1/10/2012




olhos vermelhos refletiam a lua
devorava-me aos poucos
sempre quis ser tua


texto: adriane bertini
ilustração: kevin kraus



dentro do meu peito
um céu halterofilista
aperta para fora e dói


texto: adriane bertini
ilustração: kevin kraus



texto: adriane bertini
ilustração: kevin kraus



texto: adriane bertini
ilustração: kevin kraus



texto: adriane bertini
ilustração: kevin kraus



seus lábios
secos ou doces
quero sempre machucar

texto: adriane bertini
ilustração: kevin kraus



derretes sobre meu ventre
luz trêmula
estrela incontestável

texto: adriane bertini
ilustração: kevin kraus


doces casas coloridas
lado a lado
flor pisoteada sangrando na calçada

texto: adriane bertini
ilustração: kevin kraus

1/09/2012

trinta e oito engatilhado

e a vida deu umas voltas de arame farpado no teu pescoço
que o sangue agora se mistura com a cana na goela
e uma certa lama encobre os bicos dos sapatos
como se o palhaço fosse sempre você no chap chap do salto gasto
e um monte de rios novos começaram a descer pela tua cara
vários corginhos que saem lá das maças superiores e descem na sombra da napa
e umas marcas de sol também pintanejam a fronte meio escuro branca
numa maneira de sim você embica os nãos diários
um monte de pertences que nem fazem mais cócegas lá pelos cômodos
santos misturados pra ver se ajudam no feijão
e trezentas vezes por ano aquelas duas sentadas no vaso diárias te pagam os truques
peitos do weekend só no leitinho de cabra
brindes de cristal é um tempo antigo e cavernoso, distante 3 mil
agora o bafo da tarde lambe a cacunda cheia de pelos engruvinhados
sem chefe nem marias pra correr a correria, duas da tarde lá no sol
os cacos de joelho raspam na banha da velha sentada no vime surrado
benzer-se não faz mais efeito na ardência do santo ao contrário
pó de coloral na ponta do pau pra dar saúde e parar o arrefecimento
hoje acaba ainda e não sabe de um amanhã, mesmo que por pouco.

12/19/2011

com frescura ou sem frescura?

almoço no meio da turba
o João e suas cruzes de malta na parede
Luiz e seus carrinhos de madeira
sob o balcão rabiscado de lápis
balbucio melancólico às 14:30
quando o sol que bate no largo
entra pela rua do boticário
espalhando um certo desânimo...

saudades de pedir um paissandú acompanhado de um mate,
com frescura...

heman e shehá

eu mando mesmo
chego chegando
nem sei falar português, mas eu falo que nem um burguês
chego detonando você
sou teu chefe e pára
minhas costas estão chicoteadas
ela sabe guiar meus passinhos
a coleira tá sempre apertada
o mal reina
e gostamos da vida assim, espinhosa
os outros engolimos
e você fica quieto.
a chuva rega
as flores
do pano de prato

12/15/2011

2.3.4

asma em mim o sopro de fosso
cair em desgraça por ser
perto da carne de músculo de osso
ser esse anti-ser obstáculo

estranho.
depois da chuva
o telhado
perfuma o quintal
no farol
o cigarro
atravessa vermelho

12/13/2011

anticlimax

era um lugar que já fez sucesso, agora praticamente em ruínas, vive de ocasiões vagas e duvidosas. contratado foi pra servir aos mais de 40 funcionários bebidas e comidas, um pouco de música e ciceronear o festejo de fim de ano, e, agregado a este uma troca de regalos. E lá estavam todos eles ao fim de uma segunda gorda, em mesa larga sentados num tipo de fileira indiana, rodeados dos infinitos mosquitinhos nascidos das chuvas breves de dezembro, servidos pelo singular garçom de ocasião. Combinações inexatas de valor resultaram em cervejas quentes servidas copo a copo e salgados de festas esquecidas da infância dura no interior, pasmem ao saber que o proprietário do estabelecimento servia-se dos duvidosos quitutes e mastigava em desdenhoso compasso encostado no batente, observando os clientes em balburdia comportada. Uma espécie de sujeito tocava guitarra e deve-se fazer uma pausa aqui para expor o fato: cabelos brancos, cara amassada e vestido como se tivesse saído de uma oficina mecânica, a guitarra surrada disputava os sons com um computador (laptop) no banquinho que reproduzia o restante da banda que deveria estar ali... As músicas não eram. E lá estavam eles a divertir-se em pleno medo, sem saber ao certo os nomes uns dos outros, sem conhecer as origens do próximo ou nem mesmo porque aquele momento se fazia necessário, tragavam aos goles surdos e engoliam a pasta frita que lhes era oferecida sorrindo um não sei qual prazer. A certo momento parou o panda de guitarra. Discursos breves em tons jocosos misturados a uma determinista noção de pertencimento destilaram pelo microfone ossudo. Naquele instante sabiam que nada daquilo tinha significado, mesmo que não soubessem que isso se passava de forma imperceptível pra maioria deles. Tristes trópicos são hoje, nessa troca de gentilezas que só a química do álcool permite e no calor de um abraço que tardes de verão fomentam. Tudo passou rápido então, fotos e olhos e presentes feios, e gestos mal preparados e disformes sorrisos pastel. Acabou cedo, e isso foi a notícia boa do início de mais uma noite no hemisfério sul.

12/07/2011

Dr. 8 (in memoriam)

Palitão de dentes
aquele doutor jogava bola
mudou tanta gente e tanta história
mandou pra cucuia essa besteira de ser displicente
passou por cima de todos os monstros que matam a gente (povo)

driblava um copo aqui e outro ali
pra matar no peito a sede de ser mais humano
foi embora deixando um campo vazio
que precisa de mais humor, mais caráter, e mais tutano...

12/02/2011

a vida como ela é...

das duas uma
ou você se joga
ou você arranca os cabelos pensando em como deveria ser...

11/28/2011

pedido de natal

santa maria mãe de deus
livrai-me de todas as pessoas que me perguntam
livrai-me de todos que me pedem
livrai-me de todos aqueles que me impedem

quero sair deste buraco
mistura de suor de sovaco
com ouro de tolo envelhecido
me dê mais um verão desesperante
cheio da chuva pra lavar essa gente

santa minha mãe do sofredor
aqui te peço com fervor
que me livre de todos os insuportáveis
principalmente dos olhos catarrentos
e das almas sebosas

pode me dar as rugas e os cabelos brancos
só não me tire esta vontade gigante
de ser tão verdadeiro e distante

assim, na dúvida de ser atendido
te encaminho este doce pedido...

(...)

na janela as moças
assistem ao
filme mudo do entardecer


muita arte na cabeça
quadros balançam
na frente do copo de cerveja


sombras na calçada
a lua pede ao sol
pra ser sua namorada

10/18/2011

garganta de aço

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrghggggggggggggggggggggggghhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrgggggggggggggggghhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

10/14/2011

o belo

nada é tão importante quanto o belo na arte, somente os caipiras acreditam que a arte contemporânea e seus blocos de concreto sejam capazes de dizer algo.

schubert

ao te ouvir mestre
uma nuvem amarela invade a tarde
e os prantos das paredes explodem
a grama grita deus
os beirais dormem em acenos de ninar
uma voz de veludo azul atravessa
o barco encalhado

tua música me faz desaparecer
tua alma é de alcaloides
e girassóis.

10/06/2011

tus ojos

el laberinto que más me gusta
perderme
son los ojos negros tuyos
que me tragan

el mesclar de sendas
de una luna vacia
que me hace sol
para darte más vida

VERIADORES

Originalmente de Azymut, um planeta livre da mentira, esse termo revela um matrimônio das palavras verdade (do termo latino "veritas") e do plural de dor. Curioso resultado é a semelhança com uma palavra utilizada em nosso planeta pra designar os ajudantes do comandante da cidade: vereadores. Ao que parece, em qualquer parte de qualquer galáxia, os tais sujeitos sempre serão um verdadeiro incômodo.

10/05/2011

em visita ao brasil...

...o senhor walter waldisney discursou no itamaraty
seguiu-se breve visita aos canteiros de obra
onde conheceu o pedreiro cascão
e dividiu um café com bolo de aipim na vendinha
da senhora magali.

retornou à florida com uma impressão off-set
dos personagens tropicais.

IMPECÍLIO

"ao ver era impedido pelos cílios
os pelos cílios dos olhos,
impecílios."

os versos acima do ultramoderno poeta Arcano Sacomã traduzem a busca pelo new subjectation instaurado na poesia de vanguarda. Mescla de impedimento e cílios, o novo vocábulo agrega ao poetar a velocidade de nosso mundo veloz e instantâneo. Revelam-se pouco, os impecílios!
não me interesso por interfaces atualizadas.