8/31/2012

boto pink boto

saci pererê jump jump jump
iemanjá water water water
mula sem cabeça fire fire fire
curupira frighten frighten frighten

boto pink boto
boto pink boto
boto pink boto

8/26/2012

a hora morta

fim de tarde
domingo
casas em perfeita catatonia
muitas farpas acesas
hora morta
vazio flutua nas casas que se empenumbram
no país do futuro
era uma noite qualquer
fechei o bar e sorri ao contar as notas
teria um pouco de fôlego
pra enfrentar o zoológico diário.
guardei tudo e fechei a porta do galpão enquanto
ouvia as vozes bamboleantes na rua,
e sai no meio da brisa tardia...

uma gata morta repousava na rua
próxima de um bueiro.
tive uma ideia!
desespera
espera sem espera
quão doce tu és tempo
nessa linha tênue de abismo
desespera
retêm os momentos em raiva
oculta a calma da cama
espera em vão

8/19/2012

tempo volta tempo vai
um segundo de sol
outro instante de um

tempo some tempo mula
rosca dos minutos nós
fosco da luta muita

tempo som tempo túmulo
pré sábio do nada
vento dribla que toada
caminhava ao teu lado
e a lua chorava um sal azul
derretiam os latidos ao fundo
e teu sorriso de fada ninja
tinha uma mira de escopeta

dançamos a noite toda ao som das folhas
sempre dando as mãos
àquelas rosas desajeitadas
que sonecavam em nossas pálpebras

8/13/2012

na viagem de trem
vejo o surdo
mudo pra não ver ninguém

poema recortado de uma postagem do facebook

sou assim mesmo
escovo dentes e já é tarde
minha sogra me dá tapas desautorizados na bunda
os peitos um dia devem sucumbir
e teus lábios foram doce ontem a noite

jogo limpo é pra quem pode...
resta pouco para o fim
dois invernos
a base de gergelim

7/26/2012

uma vez eu resolvi escrever
era bem novinho e inocente
queria ser um tipo de gente
queria saber não precisar crescer
então desisti de ser normal
esqueci um pouco da grana
das regras deste mundo banana
levei tanta porrada na cara
e aprendi que todas as dores
nem se comparam a dos amores
continuei impedindo a massa
de tentar me fazer argamassa
e acabei neste blog tonto, safado
cada dia mais rústico, mais aloprado
sempre disposto a quebrar uma regra

a de não deixar que vida seja uma merda!
próximo inverno
eu pulo mais um inferno
quero mais um casulo
nítido rótulo dentro do muro
minha guantánamo é aqui
no meio dos cães e das picaretas
na alameda
pisoteio as pétalas
do mal me quer

6/21/2012

na sampa vazia
o carro do babaca
enguiça o comercial
tua performance é tosca
beijo de lesma
bunda de mosca

hi, cu!

teu cu cheira bem
pode então
cagar, meu bem...

professores assassinos

por menos que a faxineira
daremos as aulas que darão frutos futuros.
por menos que a miséria
criaremos teus filhos do medo.
por menos que um dedo no rabo
criaremos uma casca dura de escravidão e cabresto.
por menos que sobras
daremos o sangue no giz nosso de cada dia.
por menos e sempre menos
seremos o alicerce do mercado de cupins.
sempre por menos
seremos unidos,
pelo menos.

como fazer para que o choro dos bebês resulte em algo produtivo

1. chore junto suas mágoas mais profundas;
2. grite com força mediana o nome daqueles devedores;
3. pense que a força da solidão solidifica os mistérios;
4. saiba que há um fim para tudo.

cordialmente

as mulheres passam com nuvens improváveis
fica um gosto azedo no fim da boca
o esquecimento das passagens mais doces
é o carburador da renovação

ainda haverá um outro tempo...

6/05/2012

jesus não tem cueca no país dos banguelas

domingo cedo elas aparecem
vestidas com seda barata abaixo das canelas
um semblante de misericórdia e desprezo
refletido no couro negro do livro entrebraços
batem as palmas numa forma de ruído
e o som acorda os cães tarados pra desguelar
abro a porta e vou em sua direção
repousam seus olhos sobre minha roupa matinal
engolem seco, tentam desviar os olhos
vejo seus lábios retraindo antes de falarem qualquer coisa
e enquanto olham, sem disfarçar, para o volume
enquanto desviam o olhar do enorme caralho na calça de moletom
elas dizem:

- o senhor já ouviu sobre a palavra de jesus?

e sorrindo, um vento sobe pelos meus pulmões e dispara:

- JESUS NÃO TEM CUECA NO PAÍS DOS BANGUELAS!!

elas gritam misturado com rosno e saem andando em desaforo pudor mentiroso.
chuva de inverno
enxurrada de gelo
resfria esse meu inferno

5/12/2012

suicídio corporativo

O termo explica as atitudes louváveis daqueles que resolveram interromper seus serviços prestados as grandes corporações. Para que haja eficácia no método é imprescindível abandonar hábitos tais como: utilizar templates da antiga empresa, carregar cartões de visita, pensar que se faz parte de algo.
vizinhos bons são aqueles que estão mortos, silenciosamente calados, inexistentes, abaixo da terra e enclausurados em alaúdes apodrecendo. explodir a cabeça de vizinhos deveria ser um dom de cada um de nós. teríamos atingido níveis de sustentabilidade jamais imaginados.
odiar é saudável, esquenta o sangue, que afina e passa melhor pelas veias.

partícula de deus

teu cu
aberto
piscando
saber mais é viver menos feliz, o sorriso é puro quando ignora.
o verdadeiro caos é a nossa cabeça.
insetos no jardim
a terra se renova
no perfume do jasmim

Conforto baixo nível

vou trabalhar todo dia
nem sei o que pensar
a moleza da cabeça
é o conforto do pesar

minha cara de alface
serve de escudo pra viver
o conforto baixo nível
sem pensar nem saber

conforto baixo nível
eu gosto de você
conforto baixo nível
faz mais um pra gente ver

pattern pan

Sininho vai bem
Padrao peter pan
Saiu de fininho
Com andy garcia

Crocodilo pozim
Capitão se já viu
Ganchin no pimpim
Sinin nunca viu