4/15/2011

truque

balada forte na goma

chap chap chap

só meu, nossa cara

os truta nervoso no esquema

as breja num gela direito

tirinho no escuro do quarto

as mina abandonada no sofá

4/14/2011

xanadu

lá em Miami
num hotel verde limão
experimento
o gosto de teu cu

margerita derrama
nos joelhos
xanadu me chama
xanadu me chama

o calçadão é pink
cabelos O2
pneu de bicicleta no saco

xanadu me chama
patins de quatro
rodinhas
de crianças feias

de carabina na boca
você gargalha no cano
pauzão de ferro na goela

xanadu me chama
xanadu me chama

o sol porção de areia
some
deslacro mais uma garrafa de tequila

4/12/2011

aguardo com muita saliva nos beiços esse inverno que judia.
winter
no
frio...

4/11/2011

primeira chuva
perfume
de telhado
vento na toalha
a tarde
de leve se espalha

virtual insanity

at least you´re here
never complain
amuse my night & day
trick me out with your bugs

can I lick you?
should we travel somewhere sandy
and roll over months of closeness

be my placebo tonight
make my cream flow
over your hostage screen

violência

acordar todos os dias
sentar em frente aos números
pedir favores a desconhecidos
comer aquele amontoado de toxinas
esfregar-se na fila do marasmo

atirar-me ao planeta
abandonar-me na cadeira mais velha da casa

finalmente cercar o desejo e raptá-lo

4/08/2011

boca de cabelo
sereia
amarrada no mastro

maré baixa

dessa vida só se pode levar o vazio e a memória, o nosso mais profundo e vasto tesouro - incógnita cristalina - nada se sabe. melhor avisar às mães que haverão riscos. atirar-se ao mundo e aos solavancos da estrada sem a preocupação do destino. quando teremos coragem para tal simplicidade? atirar-se na vida. quem é que aposta nessa jogada ainda?

2/07/2011

a tua boca rosa
belisco

algodão
açucar mascavo

beiço de anjo
rasgando o final da tarde

domingo desgrama
qualquer homem direito

1/31/2011

menina
se desejas comprar meu coração
com essa moeda barata
desista
então
é mais fácil bater na minha cara
desatar uma canção
amarrar um fogo de tarde
pra iluminar minha escuridão.

12/20/2010

A múmia

apareceu na sala de aula
arame espiralado amarrado no pescoço
turma de moço não perdoa
virou moça branca de giz

recreio dos inocentes

desapareceu na sala de aula
na tela do celular
as 15 mãos desmantelando
o esqueleto do professor de biologia

Short term pass

passe curto
enlameado
de bico no gomo errado
frango taca na rede

corte de viga
assombro no meia lua
canela de vidro
espatifa no verdinho

penalidades
máximas

12/06/2010

LONDRES 1

Becos de luz e batatas
15 mil línguas estranhas
cervejas nos muros das casas
estranhos ninhos de chá
árvores emaranham a névoa
e um frio de cortar 3 orelhas
tijolos de carne recortam
a noite que chega mais cedo
brinco c'copo no dedo
a noite festeja mais cedo.

11/23/2010

arte e hipnose

a verdadeira arte é aquela que te imbeciliza a ponto de você não saber mais quem é.

dança torta

quando danço contigo
no meio do salão
te dou tapa na cara
um baita de um sabão

bêbado e tarado
agarro de um pé de valsa
tres pra cá e dois pra lá
num passo descompassado

mais dois tapas na tua cara
e tuas lágrimas
goteiras no chão encerado
quando danço contigo

horror estampado
no veludo da cortina
limpo a mão ensanguentada
enquanto a outra te bolina.

10/16/2010

faz tempo que não escrevo
muito acerto no erro
umas cervejas se foram
os copos quebrados ficaram no vento.

faz tempo que não apareço
um terço rezado do avesso
sem muito pra dizer
desconheço o que de certo
poderia trazer, de início.

enfim, um adeus sem aceno
fica pra próxima então
quem sabe na invernação
reapareço na encenação.

9/25/2010

Petrus

meu amigo Pedro
não gosta de ninguém
fala de vários assuntos
como ninguém

é um grande hedonista
passa a vida a flanar
mas jamais perde de vista
os bits que vagueiam pelo ar

lido e educado, de berço lusitano
carrega no coração peludo
um atento apelo paulistano

vai Pedro, não desista do fumo
que a vida nada mais nos dá
que murro bruto sem prumo.

9/23/2010

9/18/2010

he's dead!




















The guy I stabbed long time ago is dead now. Maybe I'm the one who started the process of living evasion. Who knows what are the intentions of 6 knife holes in your body skin after 16 years or so. He killed himself, he has lost faith in something we are struggling to not loose - life as it most inner meaning. Hope you've found some band aids dude!

kill me now...

kill me...

pé por pé

pé dois
14 km de terra
pássaro preto na cola
dois postes de luz
nuvens de lua

a serenata já vai começar.

9/13/2010

continuação...

, talvez Robert Oppenheimer pudesse.

Bustos de escritores somem do largo do Arouche, em São Paulo


Ao ler a reportagem encabeçada pela manchete acima comecei a lembrar de quando morava no centro de São Paulo. Resumidamente, uma bosta! Tenho amigos que vão discordar, conheço pessoas que defendem a região e que vivem lá, respeito suas opiniões, mas não concordo com aquilo. A região da república morreu, e já está em estado de putrefação a pelo menos quatro anos. A praça foi reformada durante uns dois anos entre 2004 e 2006 e, ao ser reinaugurada por uma gestão filhadaputa, pra variar, não tinha um banco sequer para as pessoas sentarem. O lago é uma piscina de merda, cimentado por baixo e sem vida, serve até hoje de piscina de nóias, moleques de rua e mendigos. As pontes da praça servem de escora de traficantes e michês. Passar ali com seu filho é uma experiência maravilhosa! Retiraram as grades que cercavam a praça, isso é bom. Entretanto os gramados são campings improvisados daqueles mesmos que utilizam a “piscina”. Não bastasse, em 2007 o metrô iniciou suas obras e assinou o atestado de óbito. Somos o país do futuro. Eu morava ali, perto da Ipiranga com a avenida São João, no edifício Metro, em frente ao antigo cine Metro que hoje é a sede de uma igreja evangélica asquerosa, poluente e que atrai um monte de pobres idiotas que adoram enriquecer pastores gestores com vários MBAs nas costas. O Bar Brahma fica ali ao lado, passou a ser uma atração turística no meio do caos, e para sobreviver comeu 80% da calçada, cercou-se de seguranças e cobra couvert de granfino para os shows de museu de cera que repete a cada semana. As calçadas foram tomadas por nóias, a nova fase da cracolândia é a região da república. Uma multidão de mortos vivos, zumbis, anomalias, anões, crianças feias, monstros, coisas, cruzcredos se arrastando pela rua e procurando no meio fio guimbas, latinhas, qualquer coisa que dê pra fumar. Já vi uns nóias tão loucos que estavam fumando uns cocozinhos de cachorro que pareciam guimbas de cigarrilhas. Bizarro e previsível. Somos o país da copa. Entre a praça da República e o Largo do Arouche há uma avenida curta, chamada Vieira de Carvalho (viera de caralho), que de dia chega a parecer uma avenida normal mas que, a noite, se transforma numa mini babel repleta de veados, sapatões, lésbicas, bichas, transformistas, travestis, baianos, pobres, adolescentes que não apanharam na hora certa, emos, nóias, putas, michês, cafetões, taxistas e vendedores de artefatos de durepox. A rua é dominada e fica difícil passar por ali de carro ou de moto. O largo do Arouche, é o puro abandono: no lugar da grama o terrão, no lugar dos bancos a depredação, os bustos dos escritores desaparecerem pra virar crack e pó, lugar bacana pra passear com a namorada que veio do interior! E no meio daquilo tudo, uma cabine da polícia militar, que serve para dar legitimidade a situação, que serve para nos dizer que é isso mesmo que temos que viver quando decidimos morar no centro de São Paulo. A polícia está ali para apoiar as minorias, para apoiar e ajudar os traficantes e os nóias, para comer as putas sem pagar, para tirar um extra dos cafetões e dos flanelinhas e para proteger a degeneração generalizada de uma região que já foi muito legal. E quando me falam da revitalização do centro não consigo expressar o que é mais me desloca do eixo, se a ânsia de vômito que me sobe a goela ou a memória sensitiva de todo aquele lugar. Aquela região morreu, faz tempo e não há solução tranquila para o que acontece ali. Portanto, retirar-se, mudar de cidade, não passar ali nunca mais é minha sugestão. Hitler, Stalin, Fidel Castro, Ho Chi Minh e Mao Tsé-Tung juntos não dariam um jeito naquilo.

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9/07/2010

feriado

morungaba amparo
serra negra meu amor
disneylandia dos robôs
teleférico boliche

estrada sinuosa
chuva de terra e fogo
cerveja e cama quebrada
entrelaçados sorrimos

9/03/2010

N.A.D.A

Quer fazer algo pelas pessoas? Não faça nada!
É só decepção, é só incompetência, é só um bando de imbecis querendo comer arroz com feijão e bife duro. Um bando de macacos.
Quer fazer algo? Não faça nada. Não saia de casa, não atenda o telefone.

9/02/2010

boludo

troquei minhas bolas
o médico disse
que ao me sentar
teria que erguê-las

ergui-as no trabalho,
na escola, no carro
até na hora do banho
fizeram um mini lifting

só tive sossego quando você
delicadamente
as envolveu nos teus lábios macios.

8/25/2010

rapidinha

levei minha amiga na sua última leitura de poesia,
disse ela.
sim, e daí? perguntei.
ela é jovem e bonita, disse.
e? perguntei.
ela te
odiou.

então ela se recostou no sofá
e tirou as
botas.

minhas pernas não são tão boas,
ela disse.

tá bom, pensei, minha poesia não é tão
boa; as pernas dela não são tão
boas.

empatados.


Charles Bukowski, in Mocking bird wish me luck.
Tradução de Kevin Kraus.

transpiração 1













chegam em casa, não entendem. não há mais nada além da vegetação cobrindo o corpo. verde claro, médio e escuro. verde oliva e verde guerra. verde roxo azulado. verdi. veredas. vermout.

Impressões (pobreza)

A pobreza não particulariza configurações. Pobre na capital, pobre no interior e litoral. Celular de twiter, boné bermuda, cascão emo cabelo mano, mix ambulante de marcas. Chupa cabra moderno alimentado a isopor e raiva, vaga a mente pelas ruas da cidade. O paralelepípedo na frente de casa identifica que estou em Valinhos.