nem que seja
pra escrever mais esta linha
somente me resta
a página em branco
e um resto de tinta
as vozes estão já bem distantes
são sonhos vazios
meros instantes
meu chão é movediço
lembra um tapete velho
sobre ele deslizo
todos meus receios
as rejeições colecionadas
em potes de geléia
nem água nem uréia nem a mais tenra
ideia
custa mastigar o desencanto de cada dia
pobre daqueles que sonham
que acreditam ter alguma chance
nesta vida de ópio e disputas
cheia de gente naturalmente distante
escrever ainda me salva da morte
me enterra devagar
numa cova quase permanente
de ostracismo e esquecimento
quando acaba esse karma
meu amigo santo?
nem bem sei se sustento
um pranto
ou se engatilho a minha arma
a cabeça dita as regras
mas o corpo desobediente
inventa outras febres
ainda me resta um pouco
de paciência e sono
distrações de um moribundo
que espera o aperto
do gatilho a qualquer segundo.
1/31/2014
1/26/2014
1/23/2014
1/20/2014
encontrei jesus lá na vendinha da rua seis. ele me disse que estava sem tomates e que o molho só fica bom se for com tomate fresco. também disse que os molhos de lata causam afta nele. fiquei pensando naquilo e dei um tampinha no ombro do rapaz. seu ombro reluzia de suor e negritude. falei que eram os agrotóxicos. que era tudo culpa do monte de agrotóxicos que estamos todos consumindo, cada dia mais, envenenados todos os dias por baixo do tapete. e Jesus me olhou com aqueles olhos incrédulos e vulgares. olhou pros meus peitos reluzentes que balançavam enquanto eu dizia aquele monte de coisa importante. então, subitamente ele colocou sua mão no bico do meu seio esquerdo e apertou bem devagarinho. fiquei excitada na hora, meu membro enrijeceu. mas eu tinha vergonha de falar pra jesus que eu havia negado minha natureza. falei pra ele que outra hora seria outra ocasião. falei que tinha pressa, pedi licença e sai da vendinha correndo. Jesus ficou plantado com o saco de tomates olhando pra minha bunda siliconada enquanto eu corria e sorria e me sentia super interessante.
1/17/2014
gordura trans
jura que gosta de pastel
come salsicha e bebe refri
com xis tudo na pança sorri
ignora a possibilidade do mel
lambuza a boca no salgado
com formato de falo, pica
a calabresa na boca estica
entra na boca e goela até o talo
nunca viu fruta ou verdura
nem peixe que não fosse fritura
amante do bacon e do chiclete
cresceu num corpo de fofolete
agora prepara a janta pro namorado
seu rabo pronto, reluz defumado.
come salsicha e bebe refri
com xis tudo na pança sorri
ignora a possibilidade do mel
lambuza a boca no salgado
com formato de falo, pica
a calabresa na boca estica
entra na boca e goela até o talo
nunca viu fruta ou verdura
nem peixe que não fosse fritura
amante do bacon e do chiclete
cresceu num corpo de fofolete
agora prepara a janta pro namorado
seu rabo pronto, reluz defumado.
Célia abriu a janela da sala,
a rua cheia
mulatas de chita
negros de saco
crianças de catarro
velhos e velhas emburrando
"quero um pau no meu cuuuuuuu"
a rua petrificada
olhares dançando entre dimensões
bocas em semi aberto
e um riso risada gargalho
furacão
no parapeito a menina de vinte e dois anos tentava equilibra-se.
a rua cheia
mulatas de chita
negros de saco
crianças de catarro
velhos e velhas emburrando
"quero um pau no meu cuuuuuuu"
a rua petrificada
olhares dançando entre dimensões
bocas em semi aberto
e um riso risada gargalho
furacão
no parapeito a menina de vinte e dois anos tentava equilibra-se.
muita gente reclama
sente saudade
que não tem tempo
estão precisando
querem mas não podem
sabem que podem se arrepender
juntam medos na balança
sabem-se uma espécie de ânsia
precisam divulgar a vontade
ainda que ponham em risco a vizinhança
dizem em clara mensagem
de sua insistente necessidade
de fumar um cigarrinho do diabo!
sente saudade
que não tem tempo
estão precisando
querem mas não podem
sabem que podem se arrepender
juntam medos na balança
sabem-se uma espécie de ânsia
precisam divulgar a vontade
ainda que ponham em risco a vizinhança
dizem em clara mensagem
de sua insistente necessidade
de fumar um cigarrinho do diabo!
1/16/2014
defasagem
uma paisagem pobre
talvez sonho branco
montanha rapelada
secura de horizonte
uma miragem norte
extrema riqueza
ar tátil de cor e forma
infinito estado sólido
desmentido
desapropriado
talvez sonho branco
montanha rapelada
secura de horizonte
uma miragem norte
extrema riqueza
ar tátil de cor e forma
infinito estado sólido
desmentido
desapropriado
1/12/2014
1/07/2014
1/05/2014
via bloqueada
na frente do elevador
e nos corredores e nos túneis
nas ruas e calçadas e nas faixas
de pedestres
nas recepções e principalmente
nas entradas e saídas
em frente as portas
nas catraias do metrô
e nas plataformas
nas escadas e nas salas e salões
os humanos estão sempre
de alguma forma torta e impossível
enroscados e seus egos e telefones
e câmeras e filhos e casacos e sanduíches
e a fluidez do movimento das massas
não acontece!
e nos corredores e nos túneis
nas ruas e calçadas e nas faixas
de pedestres
nas recepções e principalmente
nas entradas e saídas
em frente as portas
nas catraias do metrô
e nas plataformas
nas escadas e nas salas e salões
os humanos estão sempre
de alguma forma torta e impossível
enroscados e seus egos e telefones
e câmeras e filhos e casacos e sanduíches
e a fluidez do movimento das massas
não acontece!
1/03/2014
árvore seca
braços
entre
laçados
desfolhados
corpo
em torta
ereção
a rua te espia
o vento
te cospe
nua
árvore
desvendada.
entre
laçados
desfolhados
corpo
em torta
ereção
a rua te espia
o vento
te cospe
nua
árvore
desvendada.
a noite é geral
somando artérias e distritos
a festa nunca termina nas marginais
somos os gatos necessários
dispensados dos glossários
nossa poesia está na rotineira luta
perdidos e sujos e mal amados
os garçons de fel e de labuta
e carregamos os ossos dos
esquecidos
enquanto difamamos uma trégua
já estamos vencidos
na ansia de sonhar
o veneno uniforme da polícia
atrás das viseiras, a mirar
nas latas de lixo e nas vielas
nos becos mais sujos e nas gamelas
no escuro dos terreiros
mais atrás dos galinheiros
estamos todos unidos num só grito
que adrenalina alguma dá por infinito
agora e ontem nunca somos nada
escorraçados e cuspidos, os invisíveis
seres que habitam tua calçada
uma massa disforme já vencida
louca pra passar só mais um dia
sem ser vista nem cobrada
os vagabundos e vândalos reais
que sustentam desde os tempos ancestrais
a classe cômica que nos dita
econômica e maldita.
somando artérias e distritos
a festa nunca termina nas marginais
somos os gatos necessários
dispensados dos glossários
nossa poesia está na rotineira luta
perdidos e sujos e mal amados
os garçons de fel e de labuta
e carregamos os ossos dos
esquecidos
enquanto difamamos uma trégua
já estamos vencidos
na ansia de sonhar
o veneno uniforme da polícia
atrás das viseiras, a mirar
nas latas de lixo e nas vielas
nos becos mais sujos e nas gamelas
no escuro dos terreiros
mais atrás dos galinheiros
estamos todos unidos num só grito
que adrenalina alguma dá por infinito
agora e ontem nunca somos nada
escorraçados e cuspidos, os invisíveis
seres que habitam tua calçada
uma massa disforme já vencida
louca pra passar só mais um dia
sem ser vista nem cobrada
os vagabundos e vândalos reais
que sustentam desde os tempos ancestrais
a classe cômica que nos dita
econômica e maldita.
1/02/2014
achado
duas garrafas
de cerveja na calçada
abandonadas
pediam por um bico
nem tive dúvida
sai de fininho
não houve apito
agora dormem quietas
na geladeira
amanhã serão abertas
é sexta-feira!
de cerveja na calçada
abandonadas
pediam por um bico
nem tive dúvida
sai de fininho
não houve apito
agora dormem quietas
na geladeira
amanhã serão abertas
é sexta-feira!
12/31/2013
farewell
que este ano podre e maldito
seja anulado, esquecido e apagado
absolutamente bizarro e infinito
foi seu prolongado negro gramado
pastei nele como um velho cavalo
perdi muito, bem dizer, a baciada
bens, dinheiro, tempo atravancado
o pior de tudo - minha mãe, tão amada!
mas como dizem por ai, há esperança
e no fim desta absurda, ogra noite
um pequeno saldo me faz vizinhança:
termino o ano sem levar o açoite
de acabar desempregado, que caralho
consegui um trampo, mas sem salário!
seja anulado, esquecido e apagado
absolutamente bizarro e infinito
foi seu prolongado negro gramado
pastei nele como um velho cavalo
perdi muito, bem dizer, a baciada
bens, dinheiro, tempo atravancado
o pior de tudo - minha mãe, tão amada!
mas como dizem por ai, há esperança
e no fim desta absurda, ogra noite
um pequeno saldo me faz vizinhança:
termino o ano sem levar o açoite
de acabar desempregado, que caralho
consegui um trampo, mas sem salário!
12/30/2013
tem dias que dá vontade de subir lá no alto do impossível distante
fazer dessa distância uma levíssima despedida de tudo
sumir sem deixar nem o cheiro nem a lembrança nem mesmo o sonho
sem despedidas e sem quebrar vidros e sem aquele gosto amargo típico
mais tarde, quando toda a taquicardia tiver passado a vontade se restaura
e no infinito flutuar longínquo
pode-se revelar o verdadeiro e autorizado indivíduo
certamente não se pode comprar.
12/29/2013
los amigos lejanos
tem um em belém
fugindo de seu outro sem ser ninguém
tem outro no sul
caçando, comendo tatu
tem mais um em sampa
entre um pastel e um samba
tem o que mora no copan
que ja voou de panam
outro que vive na granja julieta
no 5x1, cercado de ampulhetas
mais aquele que vive em barão
poeta forte, dos bão
um véio que tá em bh
não bebe, tá ficando gagá
outro doido lá no rio, carioca
que salga a barba na mandioca
outros dois na cidade dos figos
enroscados em seus filhos
e outros tantos que morreram
não porque escolheram
amigos a gente sempre tem por ai
e quando dá a gente abraça e conversa,
mas o duro mesmo dessa vida perversa,
é a solidão que vive dentro de ti.
fugindo de seu outro sem ser ninguém
tem outro no sul
caçando, comendo tatu
tem mais um em sampa
entre um pastel e um samba
tem o que mora no copan
que ja voou de panam
outro que vive na granja julieta
no 5x1, cercado de ampulhetas
mais aquele que vive em barão
poeta forte, dos bão
um véio que tá em bh
não bebe, tá ficando gagá
outro doido lá no rio, carioca
que salga a barba na mandioca
outros dois na cidade dos figos
enroscados em seus filhos
e outros tantos que morreram
não porque escolheram
amigos a gente sempre tem por ai
e quando dá a gente abraça e conversa,
mas o duro mesmo dessa vida perversa,
é a solidão que vive dentro de ti.
londrina
para quem mora em londres -
menina
para quem mora em sampa -
cocaina
para quem mora no rio -
serpentina
londrina nas retinas do meu horizonte azul despedaçado!
menina
para quem mora em sampa -
cocaina
para quem mora no rio -
serpentina
londrina nas retinas do meu horizonte azul despedaçado!
12/28/2013
sempre corretos, donos da certidão e da felicidade, guardiões da prisão dos miseráveis
quanta miséria carregam os donos da verdade
que levantam a bandeira do otimismo e sorriso fácil
que esmagam com sua pretensão a todos os desiguais
suam energia e luz para dizer o que é certo e errado
esses que sempre sabem a verdade e se dizem deus
violentam na surdida a natureza diversa dos homens
do alto de seus tronos e estáveis rotinas amenas
ditam as regras do que é ser feliz, e do que é ser triste
sabem tanto, soam mágicos, são o supra-sumo da certeza
até que uma pequena espinha surge na ponta do queixo
e desaba o mundo de neuroses por sobre seu rosto
a previsível miséria alheia é agora seu fardo momentâneo
como resolver o problema da aparência, meu deus!
escondem-se na alcova, fecham as cortinas
chamam por um milagre que lhes devolva a pura face
aquela que nega qualquer resquício de tristeza
que levantam a bandeira do otimismo e sorriso fácil
que esmagam com sua pretensão a todos os desiguais
suam energia e luz para dizer o que é certo e errado
esses que sempre sabem a verdade e se dizem deus
violentam na surdida a natureza diversa dos homens
do alto de seus tronos e estáveis rotinas amenas
ditam as regras do que é ser feliz, e do que é ser triste
sabem tanto, soam mágicos, são o supra-sumo da certeza
até que uma pequena espinha surge na ponta do queixo
e desaba o mundo de neuroses por sobre seu rosto
a previsível miséria alheia é agora seu fardo momentâneo
como resolver o problema da aparência, meu deus!
escondem-se na alcova, fecham as cortinas
chamam por um milagre que lhes devolva a pura face
aquela que nega qualquer resquício de tristeza
12/24/2013
12/20/2013
tempo
meu tempo
é noturno
um bicho
sozinho
perdido
em silêncio
cercado
de luz
artificial
meu tempo
é passado
distante
do dia
calado
presente
na mente
inundado
de vinho
produzindo
palavras
que não
se vendem
muito
menos
se entendem
é noturno
um bicho
sozinho
perdido
em silêncio
cercado
de luz
artificial
meu tempo
é passado
distante
do dia
calado
presente
na mente
inundado
de vinho
produzindo
palavras
que não
se vendem
muito
menos
se entendem
12/18/2013
12/17/2013
12/13/2013
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