2/07/2011

a tua boca rosa
belisco

algodão
açucar mascavo

beiço de anjo
rasgando o final da tarde

domingo desgrama
qualquer homem direito

1/31/2011

menina
se desejas comprar meu coração
com essa moeda barata
desista
então
é mais fácil bater na minha cara
desatar uma canção
amarrar um fogo de tarde
pra iluminar minha escuridão.

12/20/2010

A múmia

apareceu na sala de aula
arame espiralado amarrado no pescoço
turma de moço não perdoa
virou moça branca de giz

recreio dos inocentes

desapareceu na sala de aula
na tela do celular
as 15 mãos desmantelando
o esqueleto do professor de biologia

Short term pass

passe curto
enlameado
de bico no gomo errado
frango taca na rede

corte de viga
assombro no meia lua
canela de vidro
espatifa no verdinho

penalidades
máximas

12/06/2010

LONDRES 1

Becos de luz e batatas
15 mil línguas estranhas
cervejas nos muros das casas
estranhos ninhos de chá
árvores emaranham a névoa
e um frio de cortar 3 orelhas
tijolos de carne recortam
a noite que chega mais cedo
brinco c'copo no dedo
a noite festeja mais cedo.

11/23/2010

arte e hipnose

a verdadeira arte é aquela que te imbeciliza a ponto de você não saber mais quem é.

dança torta

quando danço contigo
no meio do salão
te dou tapa na cara
um baita de um sabão

bêbado e tarado
agarro de um pé de valsa
tres pra cá e dois pra lá
num passo descompassado

mais dois tapas na tua cara
e tuas lágrimas
goteiras no chão encerado
quando danço contigo

horror estampado
no veludo da cortina
limpo a mão ensanguentada
enquanto a outra te bolina.

10/16/2010

faz tempo que não escrevo
muito acerto no erro
umas cervejas se foram
os copos quebrados ficaram no vento.

faz tempo que não apareço
um terço rezado do avesso
sem muito pra dizer
desconheço o que de certo
poderia trazer, de início.

enfim, um adeus sem aceno
fica pra próxima então
quem sabe na invernação
reapareço na encenação.

9/25/2010

Petrus

meu amigo Pedro
não gosta de ninguém
fala de vários assuntos
como ninguém

é um grande hedonista
passa a vida a flanar
mas jamais perde de vista
os bits que vagueiam pelo ar

lido e educado, de berço lusitano
carrega no coração peludo
um atento apelo paulistano

vai Pedro, não desista do fumo
que a vida nada mais nos dá
que murro bruto sem prumo.

9/23/2010

9/18/2010

he's dead!




















The guy I stabbed long time ago is dead now. Maybe I'm the one who started the process of living evasion. Who knows what are the intentions of 6 knife holes in your body skin after 16 years or so. He killed himself, he has lost faith in something we are struggling to not loose - life as it most inner meaning. Hope you've found some band aids dude!

kill me now...

kill me...

pé por pé

pé dois
14 km de terra
pássaro preto na cola
dois postes de luz
nuvens de lua

a serenata já vai começar.

9/13/2010

continuação...

, talvez Robert Oppenheimer pudesse.

Bustos de escritores somem do largo do Arouche, em São Paulo


Ao ler a reportagem encabeçada pela manchete acima comecei a lembrar de quando morava no centro de São Paulo. Resumidamente, uma bosta! Tenho amigos que vão discordar, conheço pessoas que defendem a região e que vivem lá, respeito suas opiniões, mas não concordo com aquilo. A região da república morreu, e já está em estado de putrefação a pelo menos quatro anos. A praça foi reformada durante uns dois anos entre 2004 e 2006 e, ao ser reinaugurada por uma gestão filhadaputa, pra variar, não tinha um banco sequer para as pessoas sentarem. O lago é uma piscina de merda, cimentado por baixo e sem vida, serve até hoje de piscina de nóias, moleques de rua e mendigos. As pontes da praça servem de escora de traficantes e michês. Passar ali com seu filho é uma experiência maravilhosa! Retiraram as grades que cercavam a praça, isso é bom. Entretanto os gramados são campings improvisados daqueles mesmos que utilizam a “piscina”. Não bastasse, em 2007 o metrô iniciou suas obras e assinou o atestado de óbito. Somos o país do futuro. Eu morava ali, perto da Ipiranga com a avenida São João, no edifício Metro, em frente ao antigo cine Metro que hoje é a sede de uma igreja evangélica asquerosa, poluente e que atrai um monte de pobres idiotas que adoram enriquecer pastores gestores com vários MBAs nas costas. O Bar Brahma fica ali ao lado, passou a ser uma atração turística no meio do caos, e para sobreviver comeu 80% da calçada, cercou-se de seguranças e cobra couvert de granfino para os shows de museu de cera que repete a cada semana. As calçadas foram tomadas por nóias, a nova fase da cracolândia é a região da república. Uma multidão de mortos vivos, zumbis, anomalias, anões, crianças feias, monstros, coisas, cruzcredos se arrastando pela rua e procurando no meio fio guimbas, latinhas, qualquer coisa que dê pra fumar. Já vi uns nóias tão loucos que estavam fumando uns cocozinhos de cachorro que pareciam guimbas de cigarrilhas. Bizarro e previsível. Somos o país da copa. Entre a praça da República e o Largo do Arouche há uma avenida curta, chamada Vieira de Carvalho (viera de caralho), que de dia chega a parecer uma avenida normal mas que, a noite, se transforma numa mini babel repleta de veados, sapatões, lésbicas, bichas, transformistas, travestis, baianos, pobres, adolescentes que não apanharam na hora certa, emos, nóias, putas, michês, cafetões, taxistas e vendedores de artefatos de durepox. A rua é dominada e fica difícil passar por ali de carro ou de moto. O largo do Arouche, é o puro abandono: no lugar da grama o terrão, no lugar dos bancos a depredação, os bustos dos escritores desaparecerem pra virar crack e pó, lugar bacana pra passear com a namorada que veio do interior! E no meio daquilo tudo, uma cabine da polícia militar, que serve para dar legitimidade a situação, que serve para nos dizer que é isso mesmo que temos que viver quando decidimos morar no centro de São Paulo. A polícia está ali para apoiar as minorias, para apoiar e ajudar os traficantes e os nóias, para comer as putas sem pagar, para tirar um extra dos cafetões e dos flanelinhas e para proteger a degeneração generalizada de uma região que já foi muito legal. E quando me falam da revitalização do centro não consigo expressar o que é mais me desloca do eixo, se a ânsia de vômito que me sobe a goela ou a memória sensitiva de todo aquele lugar. Aquela região morreu, faz tempo e não há solução tranquila para o que acontece ali. Portanto, retirar-se, mudar de cidade, não passar ali nunca mais é minha sugestão. Hitler, Stalin, Fidel Castro, Ho Chi Minh e Mao Tsé-Tung juntos não dariam um jeito naquilo.

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9/07/2010

feriado

morungaba amparo
serra negra meu amor
disneylandia dos robôs
teleférico boliche

estrada sinuosa
chuva de terra e fogo
cerveja e cama quebrada
entrelaçados sorrimos

9/03/2010

N.A.D.A

Quer fazer algo pelas pessoas? Não faça nada!
É só decepção, é só incompetência, é só um bando de imbecis querendo comer arroz com feijão e bife duro. Um bando de macacos.
Quer fazer algo? Não faça nada. Não saia de casa, não atenda o telefone.

9/02/2010

boludo

troquei minhas bolas
o médico disse
que ao me sentar
teria que erguê-las

ergui-as no trabalho,
na escola, no carro
até na hora do banho
fizeram um mini lifting

só tive sossego quando você
delicadamente
as envolveu nos teus lábios macios.

8/25/2010

rapidinha

levei minha amiga na sua última leitura de poesia,
disse ela.
sim, e daí? perguntei.
ela é jovem e bonita, disse.
e? perguntei.
ela te
odiou.

então ela se recostou no sofá
e tirou as
botas.

minhas pernas não são tão boas,
ela disse.

tá bom, pensei, minha poesia não é tão
boa; as pernas dela não são tão
boas.

empatados.


Charles Bukowski, in Mocking bird wish me luck.
Tradução de Kevin Kraus.

transpiração 1













chegam em casa, não entendem. não há mais nada além da vegetação cobrindo o corpo. verde claro, médio e escuro. verde oliva e verde guerra. verde roxo azulado. verdi. veredas. vermout.

Impressões (pobreza)

A pobreza não particulariza configurações. Pobre na capital, pobre no interior e litoral. Celular de twiter, boné bermuda, cascão emo cabelo mano, mix ambulante de marcas. Chupa cabra moderno alimentado a isopor e raiva, vaga a mente pelas ruas da cidade. O paralelepípedo na frente de casa identifica que estou em Valinhos.

Impressões (taras)

Nesta nova cidade, sempre que observo as pessoas no comércio, trânsitos, cartórios, lanchonetes, tenho a impressão que aparentemente são despidas de sexo e tesão e que, lá pelo poço, são profundamente depravadas. Casais beirando outros casais por todos os lados. Moças poliéster arrastando cláusulas pensando no próximo churrasco de pênis. A leitura, particular e completamente sujeita a enganos, evolui até os minúsculos sacolejos de ombros, para as viradas de cabeça, risadas código. E que leite tirar dessa teta? Comprar uma rede cearense, deitar o esqueleto e animar-se nalgum enredo menos prosaico.

Impressões (reconhecimento)

Logo que cheguei na cidade percebi a diferença nos olhares. Na grande cidade, previsíveis e diretos, aqui furtivos, estrábicos, tímido-falsos, carregados de nebulosa malícia. As pessoas cofres que aparentam inocente felicidade e calma, revelam-se em calculadas esguelhas que, para o leitor de manchetes, desfilam imperceptíveis. E o que mora lá dentro daqueles olhos? Quem vive lá? Nesta cidade ainda mistério preciso saber de quem se trata. Conhecer os avisos de pálpebras para desviar de futuras cegueiras, de tombos bananas e de pisadas na merda. Tarefa diária é decodificar as agruras de um meio tão turvo construído em céu límpido e aparente cristalino.

becedário

bar

Remédio de copo
Dor de estar
Fígado suicídio
Prazer amarrado


boxe

Esquiva de olho
Três contras
Peso coitado
Murro sentava


bisca

Luzia tingido
Físico galo
Pele inegável
Nota falsa


bamba

Pinga sonora
Lata de sono
Tampa cacete
Morro de céu  

reloaded - recarregado

olá impossíveis leitores, olá invisíveis leitores. retomo este armário desde outro porto. do concreto ao paralelepípedo. tão longe tão perto da metrópole. tão triste quanto antes, mas com tristeza lavada, com cheiro de manjericão. leiam e por favor, não me encham o saco.

6/17/2010

bate girl é só maravilha!

Quer tomar um chimarrão comigo?

CLÍNICAS-PARAÍSO


clínicas. ao meu redor emergiam todas as clínicas do mundo. ruído surdo de motores. passos apressados misturados com a chuva fina. prédios em coma. cemitério curvado mudo de concreto sobre mortos. cores apagadas. tudo branco e preto. tudo cinza, um filme antigo rodando nas minhas frágeis pupilas. avenida de braços mortais, braços de flores, soluços e morfina. bancas floridas no meio do ensurdecedor braço de motores e luzes entre as clínicas. flores de enterrar. rosas que acariciavam roupas mortas. espinhos moribundos. gerânios abraçariam seios frios. orquídeas defuntas. trinta mil violetas e nenhuma lágrima.
andei por aquelas bancas. colhi todas as cores nas mãos. pétalas tonalizavam meus bolsos enquanto a chuva fina fazia chorar centenas de túmulos. enchi os bolsos. desci a escada que dava pro iluminado túnel retalhando meu corpo magro. a silenciosa estação abrigava poucas pessoas. a maioria delas mortas. algumas escaparam dos túmulos e liam as propagandas frágeis do inverno. das poucas pessoas vivas, uma interessante. bela. o rosto parecia desprender-se por todo corpo como se modigliani tivesse dado vida àquilo. roupas perfumadas e botas úmidas. cabelos em cana. olhos fartos de vazio, pingos.
enquanto o trem não vinha, ouvíamos música. a luz confusa da estação misturava música com batimentos cardíacos em emergente descontrole. aqueles olhos, como persianas antigas e corroídas, procuravam explicar algo à sua dona. talvez quisessem mostrar a faixa amarela, tonta, imóvel ali no chão. ou apenas pairar na estação e tomar lugar dos insetos barrados lá na escada. a música fazia meus cotovelos sentirem-se parte do corpo. assim, sade deitava-se nos ouvidos. formigavam meus ombros e tinha saudade da chuva fina e mal querida. um só olhar. as persianas rangiam, estalavam soltando a tinta gasta, crua. aqueles olhos demasiados. a música foi dando espaço pro ruído. súbito. muitos decibéis espalhavam o perfume pela estação. entramos no carinhoso trem.
um só olhar bastara. perfeitamente suspenso, aquele instante justificava-se e assim tornara-se findo. todos os corações deixados nas clínicas perseguiam agora o imenso trem. entravam nos meus bolsos e nas perfumadas pétalas se aninhavam. contentes. aquecidos. pulsando debaixo da terra em alta velocidade. sentada, lia algo com desinteresse fatal pelos vivos. permaneci fixo em seus prendedores de cabelo. estes sumiram e deram lugar a dois reflexos azuis. lá neles, via apenas um homem. bolsos exalando perfumes. e o intenso azul desapareceu tão veloz quanto o trem que carregava o homem, as pétalas, a mulher e todos os corações fugitivos.
pousei minhas mãos nos bolsos. procurei. encontrei a pétala vermelha manchada por todos aqueles que me perseguiam. os cabelos, agora soltos, viravam as páginas e por cima deles vi voar uma pétala que tocou no algo lido e interrompeu todo o desinteresse e devolveu todas as cores ao filme que assistia. um sorriso ingênuo e perturbado correu, penetrou pela face. os olhos baixos buscando alguma palavra. o trem parava. andei até a porta. estátua pensativa sentada no metrô. o trem partia. um dedo pousava no lábio inferior enquanto todas as violetas contidas numa lágrima azul despencavam sobre a pétala. um só olhar. era o fim da linha. os bolsos leves. olhei pros trilhos. muitos corações tinham se atirado. paraíso.

6/10/2010

Sofia e Jane

O Concerto do Silêncio

O silêncio, o vazio e a fragmentação são questões presentes no conto “O concerto de João Gilberto no Rio de janeiro” de Sérgio Sant´anna. Determinar como essas questões suportam o modo de estruturação do texto e sua temática é o objetivo deste curto ensaio.

Um concerto que não houve, uma gaiola vazia e um corte cinematográfico para uma cena qualquer. Partes que se mesclam no conto “O concerto de João Gilberto no Rio de janeiro”, de Sérgio Sant´anna, e que se fundem para utilizar o silêncio como ruído ensurdecedor, o vazio como materialização do que pode existir e o fragmento como um elemento de conexão rápida entre o leitor e o texto.
O autor traz à tona uma história sobre um concerto que não existiu. Isso poderia parecer uma história banal se não fosse pelo artista escolhido – João Gilberto – que utiliza e se faz conhecer pela exatidão do som. O não acontecer do concerto já é um acontecimento. É o próprio concerto – da maneira mais atraente para o artista João Gilberto, reconhecido por sua adoração pela ausência do som. Podemos pensar que a ausência do concerto reflete toda uma discussão a respeito de seu cancelamento – isso faz com que se tenha a mesma sensação daquela do show realizado. Falou-se a respeito, a existência-ausência do show foi diluída no discutir-se o concerto.
A questão do silêncio é de modo sutil associada ao vazio. A gaiola com um pássaro invisível chamado de o “pássaro da perfeição”, as referências a grandes espaços vazios como aeroportos do Rio e Nova York, ao Canecão vazio durante os ensaios e à não realização do concerto. Outra referência que amalgama o silêncio e o vazio é o quadro de Hopper, pintor que tematizou essas duas questões em praticamente toda sua produção artística. É nessa junção entre vazio e silêncio que entra bob Wilson, com seu espetáculo silencioso, que ficam as ressacas do protagonista e que permanecem as dúvidas de como escrever o texto que está sendo escrito.
Porém a narrativa de Sérgio Sant´anna só se justifica ao utilizar a fragmentação como elemento contrário à sua própria designação. Se o que fragmentamos se torna partes do todo fragmentado, no texto é um elemento aglutinador do vazio e do silêncio. “O ruído total equivale ao silêncio total”. As várias vezes que o concerto de João Gilberto foi citado no texto servem para construir o concerto silencioso. A fragmentação dos temas e suas referências constroem um cenário narrativo que evolui para uma grande materialização do vazio (as pessoas, os espaços, e as obras) e do silêncio.
O conto é uma discussão que envolve esses três elementos expostos para que percebamos a narrativa contemporânea dentro de sua própria temática – fragmentada e muitas vezes silenciosa (em relação à perda do referencial a que estávamos tanto acostumados no modernismo e em épocas anteriores). O concerto que não existiu não significa sua não existência, pois ao mencionar que haverá um concerto sua imagem é construída.


Por Kevin Kraus.

6/09/2010

walt in candem

Depois de soprar muito cu de gato, é assim que eu quero ficar.

acabou a ração

a geladeira tá vazia e o armário também e a panela fria olha pro guardanapo pendurado no canto do fogão que não tem gás e meu pau tá duro e nem um mamão maduro pra me satisfazer.

tudos

nadas

6/06/2010

THE WARNING by Robert Creeley

for love - I would
split open your head and put
a candle in
behind the eye


love is dead in us
if we forget
the virtues of an amulet
and quick surprise.


O aviso


por amor - eu arrancaria
sua cabeça e poria
uma vela
atrás dos olhos


o amor morre em nós
se esquecermos
das virtudes de um amuleto
e da surpresa rápida.

trad. Kevin Kraus